07 novembro 2006

Reflexões sobre jornalismo cultural

Emily Canto Nunes

O jornalismo cultural ganhou destaque na manhã de terça-feira com três trabalhos: Nem tudo que reluz é ouro: contribuição para uma reflexão teórica sobre o jornalismo cultural, de José Salvador Faro (UMESP); Jornalismo cultural no Rio Grande do Sul: o Modernismo na efêmera passagem da revista Madrugada (1926), de Cida Golin e Paula Ramos (UFRGS) e A lógica do entretenimento no jornalismo cultural brasileiro, de Sérgio Luiz Gadini (UEPG).

José Salvador Faro define o jornalismo cultural como um gênero fortemente marcado por processos reflexivos, analíticos e críticos que não possuem espaço no restante do jornalismo.

- Tem quem diga que o gênero abriga os jornalistas refugiados de outras editorias, como política e economia que, como se sabe, estão bem problemáticas.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
José Salvador Faro

Para o pesquisador, essa forma de jornalismo demanda muito esforço do profissional, uma vez que envolve um processo mais complexo de apuração, análise e relato, além de um estilo que remete às práticas de narrativas da literatura.

As pesquisadoras Cida Golin e Paula Ramos apresentaram a trajetória da revista gaúcha Madrugada, publicada entre setembro e dezembro de 1926 e fortemente inspirada nos valores modernistas. Fundada por um grupo de jovens intelectuais de Porto Alegre, a revista surgiu numa época em que as revistas ilustradas se multiplicaram graças à entrada de novas tecnologias de impressa e que se observava um crescente interesse da mulher por revistas, especialmente as ilustradas. Segundo as pesquisadoras, na metade do século XIX, o Rio Grande do Sul contava com 72 revistas e jornais de cunho literário, dado importante para entender o surgimento da publicação.

_______________________________________fotos: Juliana MaiaCida Golin e Paula Ramos

A reflexão a respeito da presença da lógica do entretenimento no jornalismo cultural foi o trabalho de Sérgio Luiz Gadini. Segundo o autor, a substituição do espaço destinado à informação e crítica foi substituído por textos mais ligados à indústria cultural, especialmente na área de televisão. Para Gadini, a criação dos segundos cadernos pela maior parte dos jornais na década de 50, deturpou a idéia de cultura enquanto motivação para pautas ou ainda como sinônimo de crítica literária. O autor ressalta que jornalismo cultural não é só entretenimento, mas também uma reflexão sobre a cultura.