07 novembro 2006

A pesquisa como ferramenta de construção histórica

Maurício Cossio
____________________________________________foto: Juliana Maia
Francisco Karam, Dione Moura e Antonio Hohlfeldt

A mesa temática "Iniciativas de articulação da pesquisa com o interesse público" abriu o último dia do 4º SBPJor. Antonio Hohlfeldt, professor e pesquisador do PPGCOM/PUCRS, relatou os esforços de pesquisa que são feitos a fim de recuperar a história da imprensa no Rio Grande do Sul. A criação do Núcleo de Pesquisa em Ciências da Comunicação (NUPECC) possibilitou a organização do acervo de importantes jornalistas, como Oswaldo Goidanich e Eduardo Xavier. Além disso, o núcleo conta com coleções de revistas e jornais, com destaque para a imprensa alternativa que circulou por Porto Alegre durante os anos 60 e 70.

- É um arquivo único, que nos possibilita estudar este tipo de jornalismo opinativo que praticamente desapareceu da nossa imprensa.

Hohlfeldt ainda destacou as pesquisas referentes ao jornal Última Hora, de Porto Alegre; do Jornal do Dia, publicação da Igreja Católica que circulou de 1947 a 1966; e do jornal republicano A Federação, fundado por Júlio de Castilho. Segundo Hohlfeld, o objetivo dessas iniciativas é "inserir o aluno da graduação no universo do qual ele vai fazer parte como profissional".

O professor da UMESP, José Marques de Melo, apresentou um histórico da Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar), cujo objetivo é resgatar a memória da imprensa brasileira. Este trabalho visa também incluir a imprensa na agenda do século XXI, a fim de socializar e democratizar o acesso à comunicação. Com base em dados numéricos, ele mostra o mapa da exclusão. Em 1950, o Brasil tinha 52 milhões de habitantes e eram vendidos 5,7 milhões de exemplares de jornal. Já em 2000, uma população de 170 milhões comprou apenas 7,8 milhões de exemplares.

- Apesar da diminuição do analfabetismo e do aumento da renda média, podemos constatar que a mídia impressa está cada vez mais distante da população.

______________________________________foto: Leandro de Oliveira
José Marques de Melo

Marques de Melo coloca parte da culpa deste processo na concentração dos meios de comunicação nas mãos de algumas poucas famílias, refletindo que "é preciso conscientizar os políticos de que a imprensa pode ser a alavanca da democracia". Uma das metas da Rede Alcar é chegar ao bicentenário da imprensa brasileira, em 2008, com um inventário completo dos jornais publicados no Brasil. Assim, estaria completo o trabalho de Alfredo de Carvalho, historiador pernambucano que inventariou a imprensa até o ano de 1908.

O jornalista Francisco Karam falou sobre a experiência da cátedra da Fenaj na Universidade Federal de santa catarina (Ufsc). Segundo ele, a universidade caracterizou-se ao longo da história como o reduto preferencial do conhecimento e da crítica, lugar propício para uma reflexão teórico-prática das atividades do homem. Citando Adelmo genro Filho, Karam abordou a tradicional polarização entre pesquisa e prática no jornalismo. No entanto, ele coloca que nos últimos anos diversas porpostas foram desenvolvidas para diminuir esta distãncia, entre elas a iniciativa da Fenaj. Uma das principais preocupações de Karam é a necessidade de profissionalização dos jornalistas. Ele defende que só a universidade têm condições de dar o embasamento filosófico, teórico, cultural e técnico de que precisam os profissionais.

____________________________________________foto: Julia Dantas
Francisco Karam

- Nós vislumbramos a necessidade de configurar uma identidade à atividade jornalística através de princípios morais e técnicos que justificam os profissionais - afirmou.

O encontro foi mediado pela professora Dione Moura, da Universidade de Brasília (UnB).