07 novembro 2006

Os manuais de redação e o futuro do jornalismo

Bruno Cassiano

As apresentações de artigos sobre o ensino e pesquisa em jornalismo no Brasil, as marcas dos manuais de redação no texto jornalístico e a questão da obsolescência do jornalismo geraram a oportunidade de debate sobre a atividade do jornalista na atualidade.

A professora Alice Koshiyama iniciou questionando a qualidade do ensino de jornalismo no país. Alice identifica algumas reclamações freqüentes dos universitários, que se queixam de deficiências como baixo nível de exigência, falta de preparo dos professores e falta de apoio à pesquisa nas faculdades de comunicação. De acordo com a pesquisadora, a má qualidade do jornalismo brasileiro reflete a má qualidade do ensino. E sugere que a integração entre a pesquisa, o cotidiano e o envolvimento mútuo entre as diversas disciplinas é uma saída para os cursos de jornalismo.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Alice Koshiyama

O professor Marcelo Bronosky, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) foi o segundo a apresentar sua pesquisa, salientando o paradoxo envolvendo os manuais de redação, os quais, ao mesmo tempo em que considerados por seus críticos como espécie de “camisa de força” do jornalismo, não deixam de ser fruto da própria ética jornalística, apesar de serem emitidos por uma empresa que teria o como lucro como principal objetivo.

Após ressaltar vários aspectos do sucesso editorial e da utilização desses manuais, Bronosky conclui que os mesmos são uma síntese das tensões entre a ética jornalística e o mercado, ê leva a questão para além da interpretação maniqueísta, procurando expor a sua complexidade.

Última a apresentar seu artigo, Magda Cunha, da PUCRS, inicia observando que os textos apresentados durante a sessão dialogam em função dos debates que podem provocar. Com o questionamento sobre uma possível obsolescência do jornalismo, que ressalta já ser um tema clássico na pesquisa, Magda afirma que não podemos ter respostas definitivas, mas acredita que o jornalismo pode sair fortalecido deste processo de muitas possibilidades.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Magda Cunha

Após as apresentações, surgiram perguntas que fomentaram debates e prognósticos sobre a atividade do jornalista. A real importância dos manuais de redação também foi questionada por uma jornalista. Bronosky contra-argumentou, defendido por Koshiyama, que, mesmo que muitas vezes não sejam propriamente utilizados, os manuais atuam como vigias e margeadores do modo de operação do jornalista. O tema ainda suscitou outras questões, despertando a atenção do público.

Comentários referentes aos limites do jornalista num momento em que os leitores também se tornam produtores de notícias e sobre as interferências dos manuais de redação na linha editorial dos jornais brasileiros também fizeram parte da pauta de discussões, numa das sessões de maior duração da última tarde do evento.