07 novembro 2006

Novo leitor e jornalismo popular

Thais Sardá

Mais do que marcar uma nova era na compreensão da forma de se fazer jornalismo, o fenômenos recentes do jornalismo têm modificado o jeito de como é visto e suscitado uma série de discussões. O jornalismo popular apresentado pelo Extra e sua comparação com O Globo; a função do ombudsman, e como se aplica na Folha de S. Paulo; e as estratégias na busca do leitor, culminando com as fotos de leitores na capa do Correio Popular (SP), estiveram no centro dos debates.

O crescimento do jornalismo popular, alcançando com o Extra, do Rio de Janeiro, a quarta posição em vendas do país, abriu uma série de discussões. Uma das principais se refere ao nicho alcançado pelos jornais. Isso porque as classes C e D, antes fora do público-leitor, hoje são um mercado cativo. Para Carine Felkl Prevedello, O Globo representa o espaço tradicional, e o Extra, o espaço popular. Para a pesquisadora, as diferenças entre os dois jornais são evidentes, principalmente com relação à relevância dos assuntos abordados, à impessoalidade e ao projeto gráfico.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Carine Felkl Prevedello

- O leitor do Extra é aproximado por meio de uma linguagem coloquial. Ele é acostumado com a violência, com o drama humano e prefere críticas diretas a subliminares.

Carine lembra que o Extra apresenta textos curtos e segue a tendência de que o tempo dedicado aos jornais é cada vez menor. Mas que texto curto não significaria necessariamente superficialidade.

Com uma análise sobre o ombudsman da Folha de S. Paulo, Kenia Maia mostrou que a figura do ombudsman foi criada como um “dispositivo de ancoragem”, uma pessoa para qual os leitores poderiam se reportar e criticar o jornal, em uma demonstração de coragem perante a concorrência. Mas para Kenia, essa figura representa a idéia de um “leitor exigente”, que critica a mídia mas pouco representa os leitores que gostariam de expressar seus descontentamento.

– Hoje, na Folha de S. Paulo, o ombudsman se posiciona como uma pessoa mais capaz do que os leitores de expressar idéias. Mas isso não quer dizer que ele esteja fazendo seu papel certo ou errado.

______________________________________foto: Leandro de Oliveira
Kenia Maia e Carlos Alberto Zanotti

Kenia explicou, ainda, que o ombudsman da Folha passou por dois momentos: no primeiro, se apresentava como uma opção para apaziguar os desentendimentos entre leitor e Redação; já no segundo, passou a lidar com a ética jornalística em si. Em nenhum dos dois foi, de fato, um representante do povo na Redação.

Com uma projeto sobre a presença do leitor na primeira página de um grande jornal de Campinas, o professor e pesquisador da PUC-Campinas, Carlos Alberto Zanotti, afirmou que o leitor se tornou hoje um “sujeito midiático”, no que se caracteriza como a revolução das fontes. Seu estudo sobre o Correio Popular, que coloca diariamente a foto de leitores na capa, remetendo à coluna Correio do Leitor, demonstra que o incentivo à participação do leitor é uma estratégia mercadológica. O leitor, por sua vez, escreve e manda sua foto para o jornal porque é movido pelo interesse de ter uma visibilidade, a qual a Internet não proporciona hoje com a mesma eficiência.