07 novembro 2006

Monitoramento e construção do espaço nos telejornais

Letícia Pakulski

O telejornalismo foi tema de discussão nesta terça-feira. Fernando Arteche Hamilton, da Univali, de Itajaí, SC, analisou, a partir de julho de 2005, temas e formatos mais comuns utilizados na edição de três telejornais da região de Blumenau, todos veiculados no horário do meio-dia. São o Jornal do Almoço, da RBS TV, o Record em Notícias, da Rede Record, e o SBT Meio-Dia, do SBT. O autor da pesquisa observou que os programas têm características editoriais que os diferenciam, tanto do ponto de vista do tema predominante, quanto do tratamento dado à publicidade e até mesmo na questão da precariedade da produção, relacionada, segundo o pesquisador, a fatores como equipe reduzida e falta de estrutura para matérias regionais.

- Se as pessoas passarem a considerar o jornalismo como algo sem importância, abaixo da crítica, que pode ser entretenimento em vez de informação, o próprio jornalismo vai correr um sério risco.

___________________________________foto: Leandro de Oliveira
Yvana Fechine e Fernando Arteche Hamilton

O assunto da pesquisa apresentada por Yvana Fechine foi a construção do enunciado dentro dos programas jornalísticos na TV. A pesquisadora analisou o tratamento do espaço dentro do telejornal, mostrando como a narrativa do programa é afetada pelo uso de recursos como o monitor de plasma, que une repórter no local onde está acontecendo determinado evento e o âncora no estúdio. Ela argumenta que “o telejornal só existe como tal na hora de ser levado ao ar”, levando em conta suas configurações espaciais múltiplas. Para Yvana, a sua pesquisa de abordagem semiótica para a análise do telejornal contribui para o interesse público ao dar instrumentos de conhecimento da linguagem do jornalismo televisivo para os profissionais, mas também serve para que as pessoas possam compreender melhor o telejornal.

- Eu acho que de alguma maneira, ao tentar traçar uma espécie de sintaxe do telejornal, a gente está colaborando para tentar passar para os próprios profissionais as estratégias e os mecanismos de linguagem que eles acionam para produzir, mesmo que intuitivamente, os efeitos que produzem. Acho que a grande contribuição seria desvendar os mecanismos de construção dessa linguagem de tal modo que a gente pudesse ao final entender como os telejornais nos dizem o que eles nos dizem.