06 novembro 2006

Metodologia de pesquisa é objeto de discussão de pesquisadores

Raquel Sander e Álvaro Bueno

A Sessão 2 das Comunicações Coordenadas, ocorrida na tarde desta segunda-feira, teve como tema "Metodologias e Pesquisa em Jornalismo". Foram apresentados os trabalhos Estudos sobre jornalismo digital no Brasil, de Luciana Mielniczuk (Universidade Federal de Santa Maria), Claudia Irene Quadros (Universidade Tuiuti do Paraná) e Suzana Barbosa (Universidade Federal da Bahia); Considerações metodológicas sobre a pesquisa aplicada ao jornalismo, de Carlos Eduardo Franciscato (Universidade Federal de Sergipe); O estatuto da história oral e as fronteiras com o jornalismo, de Suely Maciel (Escola de Comunicação e Arte/USP); e Possíveis critérios metodológicos e a reconsituição da pesquisa sobre o ethos romântico no jornalismo, de Cláudia Lago (Anhebi/Morumbi).

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Cláudia Lago

Tendo como objetivo principal fazer um levantamento dos estudos sobre jornalismo digital realizados no Brasil, o trabalho apresentado por Luciana Mielniczuk procura identificar os pioneiros no país desta pesquisa e as teses e dissertações defendidas sobre o assunto. Luciana apontou que 53,8% dos trabalhos acadêmicos de pós-graduação sobre jornalismo digital levantados foram ou estão sendo orientados por apenas seis pesquisadores: Claudia Quadros (também co-autora do trabalho), Elias Machado, Marcos Palacios, Sebastião Squirra, Elizabeth Saad e Zélia Adghirni. Eles seriam, assim, os principais pesquisadores no Brasil do assunto.

Já o trabalho de Carlos Eduardo Franciscato apresenta questões de ordem metodológica para considerar a pesquisa aplicada em jornalismo. Em sua exposição, Franciscato mostrou o modelo geral que propõe para as pesquisas aplicadas nesta área, que devem resultar, na última etapa, em dois produtos: a caracterização final de um modelo de inovação e o desenvolvimento de um trabalho conceitual.

___________________________________foto: Leandro de Oliveira
Suely Maciel

Uma análise comparativa entre os relatos jornalísticos e a história oral foi o tema de discussão de Suely Maciel. Ela enfatiza que, apesar das similaridades, a história oral não pode ser confundida com o jornalismo. Ambos partem da obtenção de informações a partir de relatos em tempo presente com fontes humanas. Porém, na oralidade, o colaborador compartilha a autoria do texto, diferentemente do testemunho jornalístico, em que, muitas vezes, o relato é utilizado para afiançar uma "verdade" já construída. Suely salientou que, embora a história oral não seja exclusividade de nenhum campo científico, ela pode apontar procedimentos que contribuem na prática jornalística.

Cláudia Lago encerrou as apresentações da sessão lembrando de há um pólo que é pouco referido nas teses, mas que tem uma influência direta no resultado dos trabalhos. Ao mencionar os critérios empregados na metodologia de pesquisas, como os epistemológicos e metodológicos, ela acrescenta a questão operacional. Segundo ela, limitações pessoais, materiais, entre outras, são determinantes para a construção do trabalho, mas estão ausentes do texto final. Esse questionamento foi objeto de estudo de Cláudia em sua própria tese.