07 novembro 2006

Jornalismo histórico

Virgínia Baumhardt e Myrian Plá

Quatro trabalhos de análise histórica do jornalismo no Brasil foram apresentados nesta terça. Aline Dalmolin (Unisinos) apresentou uma artigo sobre a modernização da imprensa nos anos 70 e as transformações editoriais da revista "Rainha", coordenada pelo padre Lauro Trevisan. De acordo com o estudo, esta publicação era voltada estritamente a assuntos ligados à Igreja Católica e a pregação da moral e dos bons costumes. A partir da década de 60, com o surgimento dos grandes conglomerados de comunicação, a Revista Rainha também se remodelou, convertendo sua linha editorial para os interesses do mercado consumidor. Os temas foram diversificados e o teor “evangelizador” foi diluído de forma a agradar também os leigos.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Luiz Antônio Farias Duarte

Luiz Antônio Farias Duarte (UFRGS) apresentou sua dissertação sobre a influência dos jornais na Primeira República. O pesquisador estudou os casos dos periódicos "Correio Braziliense" e "Correio da Manhã", entre 1901 e 1915. Segundo Duarte, o primeiro surgiu como forma de enfrentamento ao governo Campos Salles, que reprimia manifestações da imprensa. O "Correio da Manhã", influenciado pelo Braziliense, também surgiu como o "jornal do povo", apartidário.

O professor e pesquisador Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, abordou a gênese do relato jornalístico através das análises dos relatos de naufrágios das naus lusitanas no século XVI. Ele encontrou semelhanças entre os textos produzidos na época e a estrutura das reportagens produzidas atualmente, através do uso de um título, uma breve entrada, antecipação dos dados mais importantes e as informações dispostas como no da pirâmide invertida. Também eram usados elementos como factualidade, profundidade, reflexão analítica, rigor na descrição de detalhes, citações diretas ou em forma de paráfrase.

____________________________foto: Raquel Hirai
Jorge Pedro Sousa

A pesquisadora Maristela da Rocha, da UFRJ, apresentou seu estudo sobre a relação da compositora Chiquinha Gonzaga com a teoria do escândalo, de Thompson. Ela usou a arte para lutar por causas sociais, entre elas o feminismo, obtendo grande repercussão. Devido ao seu caráter transgressor, com um comportamento e consciência política atípicos para uma mulher na sua época, era considerada vulgar e motivo de chacota da imprensa.