06 novembro 2006

Homenagem a Daniel Herz

Letícia Pakulski

O jornalista gaúcho Daniel Herz foi o homenageado da segunda noite do 4º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo. Um vídeo sobre a trajetória do pesquisador, morto em maio vítima de um câncer de medula, foi exibido durante a cerimônia - que teve ainda a entrega de uma placa para a viúva Célia Stadmik.

- A falta é muito grande e vai ser por muito tempo, não há nada que repare - disse ela, agradecendo o tributo prestado pela Sociedade Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Célia Stadmik

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina Francisco Karam e o vice-presidente da SBPjor e professor da da dissertação de mestrado de Herz e coube a ele o discurso sobre a vida e a obra do jornalista. A tese de Herz, História Secreta da Rede Globo, ao virar livro, atingiu status de best-seller, com 14 reedições.

- Daniel queria mudar o mundo e tinha pressa. Ao fazer isso, contaminava a todos nós. Ao lado dele, era impossível se acomodar - disse Motta.

Após a cerimônia, o pesquisador falou à equipe de imprensa do encontro sobre o legado de Herz no jornalismo, na pesquisa acadêmica, e na função de primeiro chefe de departamento do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, uma gestão inovadora no incentivo à participação dos alunos e à democracia interna.

- Daniel deixou uma contribuição em todas as áreas que participou. Acima de tudo, nos deixou um legado extraordinário pela sua dedicação à causa da democracia e principalmente da democratização da comunicação - declarou.

____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Francisco Karam

A respeito dessa que foi a mais célebre causa de Herz, o professor Francisco Karam destacou a importância do trabalho do jornalista na criação das bases do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e de sua participação em políticas públicas de comunicação no Brasil, além da formulação do Programa de Qualidade de Ensino da Federação Nacional de Jornalismo.

- Foi uma pessoa integral. Ele dedicou grande parte de sua vida à militância, deixou muitos exemplos e um conjunto de documentos que continuarão aparecendo e que são inspiradores inclusive para o novo momento que se vive no país - afirmou Karam.