07 novembro 2006

Heterogeneidade produtiva

Emily Canto Nunes

______________________________________ foto: Marcelo Allgayer
Três trabalhos com temáticas diferentes renderam diversidade na sessão coordenada pela jornalista e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli.

Maria Alice Lima Baroni apresentou o trabalho Considerações sobre a redundância na expressão jornalismo investigativo. Diante da proposta de sua dissertação em estudar o jornalismo investigativo no período de redemocratização brasileira, Maria Alice disse ter sentido necessidade de conceituar o que seria jornalismo investigativo. Para isso, buscou em livros de jornalistas que narram a prática da profissão alguns pressupostos para construir um conceito. Segundo ela, o jornalismo investigativo não é aquele que publica escândalos ou faz denúncias, ou ainda dossiês e transcrições de relatórios oficiais.


- O jornalismo investigativo tem de partir de uma inquietação do repórter, ser realizado por um tempo indeterminado e pretender analisar e interpretar os fatos para desta forma construir o enredo do que se pretende contar.


Por esses motivos, de acordo com Maria Alice, o gênero seria considerado “marginal” no Brasil, pois é vivenciado fora das rotinas das redações.


_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Aline Strelow

Entrando mais no campo da metodologia, Aline Strelow apresentou Análise global de periódicos jornalísticos. A pesquisadora discutiu a metodologia usada em sua tese, criada a partir de um diagrama de Richard Johnson – uma tentativa de ser um modelo global de analise do jornalismo impresso, a partir do estudo de todas as etapas do processo de comunicação: da produção à recepção. Uma premissa dessa construção metodológica, de acordo, com Aline, é de ser necessário que o pesquisador problematize sua metodologia.

Sandra Moura apresentou o artigo A investigação jornalística como processo comunicativo. A partir dos manuscritos e documentos do jornalista Caco Barcellos usados no livro Rota 66, a pesquisador estudou o esquema comunicacional usado pelo autor. Sandra procura demonstrar como o jornalista é interlocutor do seu próprio processo, ou seja, emissor e receptor numa só pessoa. A partir desse estudo, a pesquisadora consegui também extrair alguns elementos do processo de produção de Caco Barcellos, que nunca se apóia só na suspeita, faz uma contextualização dos fatos, não se prende às fontes oficiais e, por fim, aquela que parece ser a característica mais marcante, a obsessão que tem pela apuração, recorrendo para isso a documentos, jornais, entrevistados, relatos e outra fontes.

________________________foto: Marcelo Allgayer
Sandra Moura