06 novembro 2006

A construção e a leitura das narrativas jornalísticas

Rodrigo Luiz Vianna

A mesa sobre Narrativas Jornalísticas abriu com a apresentação de Rosana de Lima Soares. Ela trata da criação do imaginário público da AIDS através de matérias jornalísticas. Divide os anos 90 em duas fases: a primeira, mais ligada a um combate da doença, e a segunda, integrando os sujeitos portadores do vírus à sociedade.

___________________________________________foto: Raquel Hirai
José Luiz Aidar

José Luiz Aidar comentou as relações da mídia com a saúde. O autor trabalha com a utopia da boa saúde e o culto ao corpo. Aidar comenta os contratos de leitura entre os meios de comunicação e os leitores, dizendo que a mídia não disciplina, mas controla. Através do uso de palavras de ordem, traça modelos a serem seguidos, mostrando que a comunicação mostra as mudanças da sociedade e da ciência para o público. Isso é feito construindo um discurso que faz um simulacro do discurso científico.


A segunda metade da discussão trabalhou mais diretamente a questão do texto jornalístico. Luiz Gonzaga Motta trabalhou as relações entre texto factual e ficcional. Motta afirma que a presença da narrativa é aceita pelo homem, questionando-se o momento em que há a transposição do factual para a história ficcional, buscando a resposta no receptor.

- É na recepção que os interlocutores estabelecem as conexões, preenchendo as lacunas e construindo a história. É o receptor que conclui a obra - disse.

________________________foto: Marcelo Allgayer
Luiz Gonzaga Motta

Gislene Silva apresentou um trabalho que discutiu a diversidade das recepções de um texto jornalístico e a possível estética que isso acarreta. Gislene questiona o caminho da construção do imaginário através do discurso jornalístico, apresentando dados de sua pesquisa que coloca o receptor também como criador da narrativa. Isso se dá através de um processo subjetivo, que apresenta devaneios para preencher as lacunas discursivas da construção da história/matéria.


A releitura de textos traz re-significações, segundo Daisi Vogel. A pesquisadora define o jornalismo como um conjunto textual que assimila e configura uma época. Suas buscas são por estruturas fixas que formam a compreensão do texto. A renovação dessas estruturas caracterizam a re-significação, que passa do tempo presente da notícia para o tempo suspenso da memória. Uma vez que a matriz narrativa é comum em vários campos - jornalístico, antropológico, literal -, ela se torna sempre ficcional.