07 novembro 2006

As questões sociais e as fontes

Álvaro Bueno

A sessão coordenada pela professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ilza Girardi, na tarde desta terça-feira, apresentou trabalhos que tratam do papel jornalístico em temas sociais e ambientais. O primeiro a apresentar foi Vicente Darde. A pesquisa apresentada é um resumo da dissertação de mestrado, na qual busca responder se os jornais tratam de forma equilibrada a pluralidade das vozes para falar sobre Aids. Analisando dois jornais de referência nacional - O Globo e Folha de São Paulo - durante um ano, Darde constata que a fala de pessoas portadoras do virus HIV praticamente não esteve presente nos textos de conteúdo informativo e opinativo. Os veículos dão uma preferência para fontes como governo e organizações internacionais, que ele identifica como vozes dominantes. Darde acredita que há necessidade da imprensa explicar a doença apontando estatísticas, buscando mostrar a "cara" da Aids na atualidade.

___________________________________fotos: Leandro de OliveiraJosenildo Guerra e Vicente Darde

Josenildo Guerra apresentou o trabalho que vem desenvolvendo em conjunto com Wellington Amarante sobre a abordagem da imprensa, no Sergipe, sobre violência no universo infanto-juvenil. Num primeiro momento foi feito um diagnóstico dos veículos locais em que foi possível constatar que a cobertura era problemática, não diferenciando estas infrações, de crimes cometidos por adultos. Segundo o pesquisador, as notícias costumam dar o foco para o delito e dificilmente lembram das causas que levaram o menor a cometer o ato. Num segundo momento, vem se desenvolvendo uma pesquisa aplicada, de base etnográfica, com o objetivo de conhecer a temática e desenvolver uma técnica de cobertura para ela. A intenção é de realizar uma imersão em instituições do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente, como a vara especializada e o Ministério Público, na busca novos parâmetros e possibilidades de cobertura para o tema da violência no universo infanto-juvenil que vão além das matérias oriundas das rondas nas delegacias de polícia.

Carine Massierer e Reges Schwaab buscaram pensar como a crise ambiental mundial é apreendida pelo campo do jornalismo tendo em vista que vários autores argumentam que a mídia ocupa papel central no contexto da era da informação. Eles afirmam que é indispensável haver um olhar holístico para esta questão e uma compreensão da relação entre o local e o global. Massierer e Schwaab afirmam que o jornalismo tem um papel fundamental para a reflexidade e questionamento da ordem antieconômica vigente na sociedade.

A última apresentação, de autoria de Anaelson de Sousa, Betânia Barreto e Rodrigo Oliveira, da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano e da Universidade Estadual de São Carlos, seguiu a mesma linha. Eles traçaram o o perfil do jornalismo ambiental no município de Vitória da Conquista (BA). A partir de dados obtidos através de questionário aplicados a profissionais da imprensa da cidade, concluiu-se que as pautas ambientais são praticadas, ainda, de forma incipiente, mesmo existindo um curso de jornalismo na localidade.