07 novembro 2006

As narrativas jornalísticas

Rodrigo Luiz Vianna

Os modelos de narrativas também estiveram em discussão na tarde dessa terça-feira no SBPJor. A espetacularização no jornalismo foi abordada por Michele Negrini, que observa a construção da imagem e da produção de sentido na mídia televisiva. Negrini postula a presença de um discurso planificado no progroma Linha Direta, da Rede Globo, que não distingue o receptor e apresenta um maniqueísmo ideológico.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Sonia Lanza, Maura Martins e Michele Negrini

Ao trabalhar a morte como foco do jornalismo, Sonia Lanza identifica que há um grande interesse e consumo por parte dos receptores sobre o tema. Desse modo, discute os processos de ritualização e catarse que emergem da consciência da morte que surge através da narrativa jornalística. Para a pesquisadora, é comum o tema ser tratado de forma folhetinesca pelos veículos, como uma forma de chamar e prender mais leitores e consumidores.

Maura Martins apresentou um trabalho sobre a ficcionalização da realidade cotidiana e a leve fronteira entre o real e o ficcional. Pensar o relato jornalístico como uma narrativa construída e não-natural abre espaço para trabalhar novas formas de estruturação do contar jornalístico, segundo Vianna. E o New Journalism nasceria, assim, como uma proposta que libera o jornalista para assumir uma postura subjetiva, o que lhe conferiria uma maior honestidade, entregando ao receptor a liberdade de tirar as próprias conclusões.