07 novembro 2006

Até mais


Por cinco dias, Porto Alegre recebeu alguns dos principais nomes da pesquisa em jornalismo do Brasil e exterior. A I Journalism Brazil Conference e o 4° Encontro da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo debateram velhas questões e apontaram novos caminhos para o fazer jornalístico. O próximo encontro está marcado para daqui um ano.


____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Jardim da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
da UFRGS,
sede do 4°SBPJor

Mas os jacarandás, tão típicos em Porto Alegre, não estarão presentes. Será o tempo de descobrir novas paisagens.

E fomentar novas discussões.

Despedidas

Arthur Puls

O encerramento das atividades do 4º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo ocorreu no final da tarde de hoje, no auditório da Fabico, em seqüência à reunião que formalizou as redes de pesquisa da SPBJor. A coordenadora local, Marcia Benetti agradeceu aos presentes, estendendo sua gratidão aos patrocinadores, equipe e alunos empenhados na realização do encontro. Elias Machado, o presidente da SBPJor, aproveitou para ressaltar a importância de congressos como este.

- Este é um espaço de troca de conhecimento, onde os pesquisadores também podem encontrar velhos conhecidos - disse.

___________________________________foto: Leandro de Oliveira
Elias Machado e Marcia Benetti

Da platéia, Vitor Gentilli, da UFES, pediu uma “moção de congratulação” pela boa organização, seguido de aplausos dos participantes.

Tipo Exportação

Bruna Maia

"Quero exportar a equipe para ensinar meus alunos a organizar um evento". A frase é de Arnold S. de Beer, jornalista sul-africano, proferida durante a "Brazil Conference". A equipe "tipo exportação" trabalhou nos diversos aspectos da produção do evento internacional e do SBPJor, e é formada principalmente por alunos do curso de Relações Públicas da

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob a coordenação da produtora culturalda Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO), Anajara Carbonell Closs.

As reuniões preparatórias dos congressos começaram em dezembro de 2005, mas Anajara diz que seu trabalho de organização começou a se intensificar em maio de 2006, quando começou o planejamento da estrutura e a busca por apoios e patrocínios.

- O início foi mais difícil, alguns poatrocinadores só conseguimos depois, outros que já haviam oferecido apoio desistiram por questões burocráticas. Organizamos com o orçamento que tínhamos, não podíamos contar com algo que ainda não havia entrado.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Anajara Closs, Vivian Temp e Anelise Boff

Mas essas dificuldades iniciais foram superadas e nos 5 dias de mesas e debates não houve grandes problemas além daqueles causado pela falha de um computador ou do ar-condicionado. Mas para resolver os problemas, havia o estudante Pedro Sander.

- Sou o Severino, quebro galho.

Apesar de ser estudante de publicidade ele se envolveu na esquipe de apoio porque gosta de estar em contato com a faculdade.

- É bom participar de um grande evento internacional, conhecer pessoas que eu não conheceria.

No longo período de produção, Anajara contou com a ajuda da bolsista Anelise Boff, estudante de relações públicas, contratada no início de agosto. Anelise diz que, quando ingressou, aspectoS como os locais que sediariam os eventos já estavam acertados.

- Tinha que cuidar de detalhes operacionais, fazer contatos com fornecedores, orçamentos. Uma das partes mais preocupantes foi montar as equipes: monitores de sala, recepção, coffee brake, translado, material etc.

Anelise afirma que depois que os eventos começaram, os alunos se engajaram com afinco e a preocupação com as escalas se dissipou. Durante o tempo que durou essa entrevista ,várias pessoas pediram informações e ajuda, mas a Anelise se mostrou incansável.

- Eu gosto saber que sou responsável por algumas coisas e tenho que fazer isso acontecer.

Para os estudantes, a experiência significou a participação em um projeto que envolveu pessoas de 5 continentes. Thais Lemos Leite integrou a equipe de material, responsável por montar as pastas que cada participante recebeu. Mesmo com uma equipe elogiada, Thais diz que se houver outra edição vai ser ainda melhor, pois já haverá uma avaliação do que funcionou e do que poderia ser feito de outra forma. Mariana Todeschinni, que trabalhou todos os dias nos dois congressos, só reclama por não poder assistir os trabalhos dos pesquisadores, mas sabe que isso "isso faz parte" do trabalho.

___________________________________________foto: Juliana Maia

Cerca de 50 alunos se envolveram no atendimento dos congressistas, participantes e palestrantes da I Brazil Conference e do IV SBPjor. Entre eles, não há quem diga que não valeu a experiência.

- É uma experiência maravilhosa, cansativa e estressante, mas muito gratificante, diz Anajara Carbonell Closs.

O antagonismo Islã x Ocidente na mídia

Arthur Puls

As discussões a respeito da cobertura da mídia sobre os conflitos entre ocidentais e muçulmanos esteve presente no SBPJor. Ana Paula da Rosa apresentou o texto Atentado em imagens: sincronização e crcularidade na mídia. Adriano Charles da Silva Cruz trouxe o artigo A emergência da polêmica entre Islã e Ocidente nas charges de Maomé. As atividades foram coordenadas por Walter Lima Jr, da faculdade Cásper Líbero.

Ana Paula da Rosa defendeu o argumento de que as pessoas, fatos e coisas que não têm visibilidade na mídia acabam não existindo para o público. Lembrou que os atentados de 11 de setembro não só estão na memória coletiva, como estariam praticamente na retina do público. Ana Paula criticou o "engessamento" das agências de notícias, onde há um padrão nas fotos, especialmente na cobertura de guerra, sempre privilegiando a visão ocidental.

__________________________________________fotos: Raquel Hirai
Adriano Charles Cruz e Ana Paula da Rosa

Adriano Charles da Silva Cruz abordou o conceito de "interincompreensão discursiva", de Maingueneau,para analisar as relações entre Ocidente e Islã. Deixando de lado o conceito de ideologia, por o considerar desgastado, usou o conceito de "formação discursiva". Explicou que ocidentais e maometanos têm formações discursivas antagônicas.

- As formações acabam entrando em conflito quando são antagônicas - disse.

Segundo Adriano, está na interincompreensão discursiva a explicação para a formação do preconceito entre os dois mundos: quem não consegue enxergar o outro como ele realmente é, quem não consegue "entender o discurso alheio", acaba construindo um simulacro do outro. O pesquisador apresentou as charges do profeta Maomé, publicadas por um jornal Dinamarquês em 2005.

Os manuais de redação e o futuro do jornalismo

Bruno Cassiano

As apresentações de artigos sobre o ensino e pesquisa em jornalismo no Brasil, as marcas dos manuais de redação no texto jornalístico e a questão da obsolescência do jornalismo geraram a oportunidade de debate sobre a atividade do jornalista na atualidade.

A professora Alice Koshiyama iniciou questionando a qualidade do ensino de jornalismo no país. Alice identifica algumas reclamações freqüentes dos universitários, que se queixam de deficiências como baixo nível de exigência, falta de preparo dos professores e falta de apoio à pesquisa nas faculdades de comunicação. De acordo com a pesquisadora, a má qualidade do jornalismo brasileiro reflete a má qualidade do ensino. E sugere que a integração entre a pesquisa, o cotidiano e o envolvimento mútuo entre as diversas disciplinas é uma saída para os cursos de jornalismo.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Alice Koshiyama

O professor Marcelo Bronosky, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR) foi o segundo a apresentar sua pesquisa, salientando o paradoxo envolvendo os manuais de redação, os quais, ao mesmo tempo em que considerados por seus críticos como espécie de “camisa de força” do jornalismo, não deixam de ser fruto da própria ética jornalística, apesar de serem emitidos por uma empresa que teria o como lucro como principal objetivo.

Após ressaltar vários aspectos do sucesso editorial e da utilização desses manuais, Bronosky conclui que os mesmos são uma síntese das tensões entre a ética jornalística e o mercado, ê leva a questão para além da interpretação maniqueísta, procurando expor a sua complexidade.

Última a apresentar seu artigo, Magda Cunha, da PUCRS, inicia observando que os textos apresentados durante a sessão dialogam em função dos debates que podem provocar. Com o questionamento sobre uma possível obsolescência do jornalismo, que ressalta já ser um tema clássico na pesquisa, Magda afirma que não podemos ter respostas definitivas, mas acredita que o jornalismo pode sair fortalecido deste processo de muitas possibilidades.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Magda Cunha

Após as apresentações, surgiram perguntas que fomentaram debates e prognósticos sobre a atividade do jornalista. A real importância dos manuais de redação também foi questionada por uma jornalista. Bronosky contra-argumentou, defendido por Koshiyama, que, mesmo que muitas vezes não sejam propriamente utilizados, os manuais atuam como vigias e margeadores do modo de operação do jornalista. O tema ainda suscitou outras questões, despertando a atenção do público.

Comentários referentes aos limites do jornalista num momento em que os leitores também se tornam produtores de notícias e sobre as interferências dos manuais de redação na linha editorial dos jornais brasileiros também fizeram parte da pauta de discussões, numa das sessões de maior duração da última tarde do evento.

As questões sociais e as fontes

Álvaro Bueno

A sessão coordenada pela professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ilza Girardi, na tarde desta terça-feira, apresentou trabalhos que tratam do papel jornalístico em temas sociais e ambientais. O primeiro a apresentar foi Vicente Darde. A pesquisa apresentada é um resumo da dissertação de mestrado, na qual busca responder se os jornais tratam de forma equilibrada a pluralidade das vozes para falar sobre Aids. Analisando dois jornais de referência nacional - O Globo e Folha de São Paulo - durante um ano, Darde constata que a fala de pessoas portadoras do virus HIV praticamente não esteve presente nos textos de conteúdo informativo e opinativo. Os veículos dão uma preferência para fontes como governo e organizações internacionais, que ele identifica como vozes dominantes. Darde acredita que há necessidade da imprensa explicar a doença apontando estatísticas, buscando mostrar a "cara" da Aids na atualidade.

___________________________________fotos: Leandro de OliveiraJosenildo Guerra e Vicente Darde

Josenildo Guerra apresentou o trabalho que vem desenvolvendo em conjunto com Wellington Amarante sobre a abordagem da imprensa, no Sergipe, sobre violência no universo infanto-juvenil. Num primeiro momento foi feito um diagnóstico dos veículos locais em que foi possível constatar que a cobertura era problemática, não diferenciando estas infrações, de crimes cometidos por adultos. Segundo o pesquisador, as notícias costumam dar o foco para o delito e dificilmente lembram das causas que levaram o menor a cometer o ato. Num segundo momento, vem se desenvolvendo uma pesquisa aplicada, de base etnográfica, com o objetivo de conhecer a temática e desenvolver uma técnica de cobertura para ela. A intenção é de realizar uma imersão em instituições do sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente, como a vara especializada e o Ministério Público, na busca novos parâmetros e possibilidades de cobertura para o tema da violência no universo infanto-juvenil que vão além das matérias oriundas das rondas nas delegacias de polícia.

Carine Massierer e Reges Schwaab buscaram pensar como a crise ambiental mundial é apreendida pelo campo do jornalismo tendo em vista que vários autores argumentam que a mídia ocupa papel central no contexto da era da informação. Eles afirmam que é indispensável haver um olhar holístico para esta questão e uma compreensão da relação entre o local e o global. Massierer e Schwaab afirmam que o jornalismo tem um papel fundamental para a reflexidade e questionamento da ordem antieconômica vigente na sociedade.

A última apresentação, de autoria de Anaelson de Sousa, Betânia Barreto e Rodrigo Oliveira, da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano e da Universidade Estadual de São Carlos, seguiu a mesma linha. Eles traçaram o o perfil do jornalismo ambiental no município de Vitória da Conquista (BA). A partir de dados obtidos através de questionário aplicados a profissionais da imprensa da cidade, concluiu-se que as pautas ambientais são praticadas, ainda, de forma incipiente, mesmo existindo um curso de jornalismo na localidade.

Monitoramento e construção do espaço nos telejornais

Letícia Pakulski

O telejornalismo foi tema de discussão nesta terça-feira. Fernando Arteche Hamilton, da Univali, de Itajaí, SC, analisou, a partir de julho de 2005, temas e formatos mais comuns utilizados na edição de três telejornais da região de Blumenau, todos veiculados no horário do meio-dia. São o Jornal do Almoço, da RBS TV, o Record em Notícias, da Rede Record, e o SBT Meio-Dia, do SBT. O autor da pesquisa observou que os programas têm características editoriais que os diferenciam, tanto do ponto de vista do tema predominante, quanto do tratamento dado à publicidade e até mesmo na questão da precariedade da produção, relacionada, segundo o pesquisador, a fatores como equipe reduzida e falta de estrutura para matérias regionais.

- Se as pessoas passarem a considerar o jornalismo como algo sem importância, abaixo da crítica, que pode ser entretenimento em vez de informação, o próprio jornalismo vai correr um sério risco.

___________________________________foto: Leandro de Oliveira
Yvana Fechine e Fernando Arteche Hamilton

O assunto da pesquisa apresentada por Yvana Fechine foi a construção do enunciado dentro dos programas jornalísticos na TV. A pesquisadora analisou o tratamento do espaço dentro do telejornal, mostrando como a narrativa do programa é afetada pelo uso de recursos como o monitor de plasma, que une repórter no local onde está acontecendo determinado evento e o âncora no estúdio. Ela argumenta que “o telejornal só existe como tal na hora de ser levado ao ar”, levando em conta suas configurações espaciais múltiplas. Para Yvana, a sua pesquisa de abordagem semiótica para a análise do telejornal contribui para o interesse público ao dar instrumentos de conhecimento da linguagem do jornalismo televisivo para os profissionais, mas também serve para que as pessoas possam compreender melhor o telejornal.

- Eu acho que de alguma maneira, ao tentar traçar uma espécie de sintaxe do telejornal, a gente está colaborando para tentar passar para os próprios profissionais as estratégias e os mecanismos de linguagem que eles acionam para produzir, mesmo que intuitivamente, os efeitos que produzem. Acho que a grande contribuição seria desvendar os mecanismos de construção dessa linguagem de tal modo que a gente pudesse ao final entender como os telejornais nos dizem o que eles nos dizem.

Jornalismo histórico

Virgínia Baumhardt e Myrian Plá

Quatro trabalhos de análise histórica do jornalismo no Brasil foram apresentados nesta terça. Aline Dalmolin (Unisinos) apresentou uma artigo sobre a modernização da imprensa nos anos 70 e as transformações editoriais da revista "Rainha", coordenada pelo padre Lauro Trevisan. De acordo com o estudo, esta publicação era voltada estritamente a assuntos ligados à Igreja Católica e a pregação da moral e dos bons costumes. A partir da década de 60, com o surgimento dos grandes conglomerados de comunicação, a Revista Rainha também se remodelou, convertendo sua linha editorial para os interesses do mercado consumidor. Os temas foram diversificados e o teor “evangelizador” foi diluído de forma a agradar também os leigos.

__________________________________________foto: Raquel Hirai
Luiz Antônio Farias Duarte

Luiz Antônio Farias Duarte (UFRGS) apresentou sua dissertação sobre a influência dos jornais na Primeira República. O pesquisador estudou os casos dos periódicos "Correio Braziliense" e "Correio da Manhã", entre 1901 e 1915. Segundo Duarte, o primeiro surgiu como forma de enfrentamento ao governo Campos Salles, que reprimia manifestações da imprensa. O "Correio da Manhã", influenciado pelo Braziliense, também surgiu como o "jornal do povo", apartidário.

O professor e pesquisador Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, abordou a gênese do relato jornalístico através das análises dos relatos de naufrágios das naus lusitanas no século XVI. Ele encontrou semelhanças entre os textos produzidos na época e a estrutura das reportagens produzidas atualmente, através do uso de um título, uma breve entrada, antecipação dos dados mais importantes e as informações dispostas como no da pirâmide invertida. Também eram usados elementos como factualidade, profundidade, reflexão analítica, rigor na descrição de detalhes, citações diretas ou em forma de paráfrase.

____________________________foto: Raquel Hirai
Jorge Pedro Sousa

A pesquisadora Maristela da Rocha, da UFRJ, apresentou seu estudo sobre a relação da compositora Chiquinha Gonzaga com a teoria do escândalo, de Thompson. Ela usou a arte para lutar por causas sociais, entre elas o feminismo, obtendo grande repercussão. Devido ao seu caráter transgressor, com um comportamento e consciência política atípicos para uma mulher na sua época, era considerada vulgar e motivo de chacota da imprensa.

Novo leitor e jornalismo popular

Thais Sardá

Mais do que marcar uma nova era na compreensão da forma de se fazer jornalismo, o fenômenos recentes do jornalismo têm modificado o jeito de como é visto e suscitado uma série de discussões. O jornalismo popular apresentado pelo Extra e sua comparação com O Globo; a função do ombudsman, e como se aplica na Folha de S. Paulo; e as estratégias na busca do leitor, culminando com as fotos de leitores na capa do Correio Popular (SP), estiveram no centro dos debates.

O crescimento do jornalismo popular, alcançando com o Extra, do Rio de Janeiro, a quarta posição em vendas do país, abriu uma série de discussões. Uma das principais se refere ao nicho alcançado pelos jornais. Isso porque as classes C e D, antes fora do público-leitor, hoje são um mercado cativo. Para Carine Felkl Prevedello, O Globo representa o espaço tradicional, e o Extra, o espaço popular. Para a pesquisadora, as diferenças entre os dois jornais são evidentes, principalmente com relação à relevância dos assuntos abordados, à impessoalidade e ao projeto gráfico.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Carine Felkl Prevedello

- O leitor do Extra é aproximado por meio de uma linguagem coloquial. Ele é acostumado com a violência, com o drama humano e prefere críticas diretas a subliminares.

Carine lembra que o Extra apresenta textos curtos e segue a tendência de que o tempo dedicado aos jornais é cada vez menor. Mas que texto curto não significaria necessariamente superficialidade.

Com uma análise sobre o ombudsman da Folha de S. Paulo, Kenia Maia mostrou que a figura do ombudsman foi criada como um “dispositivo de ancoragem”, uma pessoa para qual os leitores poderiam se reportar e criticar o jornal, em uma demonstração de coragem perante a concorrência. Mas para Kenia, essa figura representa a idéia de um “leitor exigente”, que critica a mídia mas pouco representa os leitores que gostariam de expressar seus descontentamento.

– Hoje, na Folha de S. Paulo, o ombudsman se posiciona como uma pessoa mais capaz do que os leitores de expressar idéias. Mas isso não quer dizer que ele esteja fazendo seu papel certo ou errado.

______________________________________foto: Leandro de Oliveira
Kenia Maia e Carlos Alberto Zanotti

Kenia explicou, ainda, que o ombudsman da Folha passou por dois momentos: no primeiro, se apresentava como uma opção para apaziguar os desentendimentos entre leitor e Redação; já no segundo, passou a lidar com a ética jornalística em si. Em nenhum dos dois foi, de fato, um representante do povo na Redação.

Com uma projeto sobre a presença do leitor na primeira página de um grande jornal de Campinas, o professor e pesquisador da PUC-Campinas, Carlos Alberto Zanotti, afirmou que o leitor se tornou hoje um “sujeito midiático”, no que se caracteriza como a revolução das fontes. Seu estudo sobre o Correio Popular, que coloca diariamente a foto de leitores na capa, remetendo à coluna Correio do Leitor, demonstra que o incentivo à participação do leitor é uma estratégia mercadológica. O leitor, por sua vez, escreve e manda sua foto para o jornal porque é movido pelo interesse de ter uma visibilidade, a qual a Internet não proporciona hoje com a mesma eficiência.

Heterogeneidade produtiva

Emily Canto Nunes

______________________________________ foto: Marcelo Allgayer
Três trabalhos com temáticas diferentes renderam diversidade na sessão coordenada pela jornalista e pesquisadora Fatimarlei Lunardelli.

Maria Alice Lima Baroni apresentou o trabalho Considerações sobre a redundância na expressão jornalismo investigativo. Diante da proposta de sua dissertação em estudar o jornalismo investigativo no período de redemocratização brasileira, Maria Alice disse ter sentido necessidade de conceituar o que seria jornalismo investigativo. Para isso, buscou em livros de jornalistas que narram a prática da profissão alguns pressupostos para construir um conceito. Segundo ela, o jornalismo investigativo não é aquele que publica escândalos ou faz denúncias, ou ainda dossiês e transcrições de relatórios oficiais.


- O jornalismo investigativo tem de partir de uma inquietação do repórter, ser realizado por um tempo indeterminado e pretender analisar e interpretar os fatos para desta forma construir o enredo do que se pretende contar.


Por esses motivos, de acordo com Maria Alice, o gênero seria considerado “marginal” no Brasil, pois é vivenciado fora das rotinas das redações.


_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Aline Strelow

Entrando mais no campo da metodologia, Aline Strelow apresentou Análise global de periódicos jornalísticos. A pesquisadora discutiu a metodologia usada em sua tese, criada a partir de um diagrama de Richard Johnson – uma tentativa de ser um modelo global de analise do jornalismo impresso, a partir do estudo de todas as etapas do processo de comunicação: da produção à recepção. Uma premissa dessa construção metodológica, de acordo, com Aline, é de ser necessário que o pesquisador problematize sua metodologia.

Sandra Moura apresentou o artigo A investigação jornalística como processo comunicativo. A partir dos manuscritos e documentos do jornalista Caco Barcellos usados no livro Rota 66, a pesquisador estudou o esquema comunicacional usado pelo autor. Sandra procura demonstrar como o jornalista é interlocutor do seu próprio processo, ou seja, emissor e receptor numa só pessoa. A partir desse estudo, a pesquisadora consegui também extrair alguns elementos do processo de produção de Caco Barcellos, que nunca se apóia só na suspeita, faz uma contextualização dos fatos, não se prende às fontes oficiais e, por fim, aquela que parece ser a característica mais marcante, a obsessão que tem pela apuração, recorrendo para isso a documentos, jornais, entrevistados, relatos e outra fontes.

________________________foto: Marcelo Allgayer
Sandra Moura

As narrativas jornalísticas

Rodrigo Luiz Vianna

Os modelos de narrativas também estiveram em discussão na tarde dessa terça-feira no SBPJor. A espetacularização no jornalismo foi abordada por Michele Negrini, que observa a construção da imagem e da produção de sentido na mídia televisiva. Negrini postula a presença de um discurso planificado no progroma Linha Direta, da Rede Globo, que não distingue o receptor e apresenta um maniqueísmo ideológico.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Sonia Lanza, Maura Martins e Michele Negrini

Ao trabalhar a morte como foco do jornalismo, Sonia Lanza identifica que há um grande interesse e consumo por parte dos receptores sobre o tema. Desse modo, discute os processos de ritualização e catarse que emergem da consciência da morte que surge através da narrativa jornalística. Para a pesquisadora, é comum o tema ser tratado de forma folhetinesca pelos veículos, como uma forma de chamar e prender mais leitores e consumidores.

Maura Martins apresentou um trabalho sobre a ficcionalização da realidade cotidiana e a leve fronteira entre o real e o ficcional. Pensar o relato jornalístico como uma narrativa construída e não-natural abre espaço para trabalhar novas formas de estruturação do contar jornalístico, segundo Vianna. E o New Journalism nasceria, assim, como uma proposta que libera o jornalista para assumir uma postura subjetiva, o que lhe conferiria uma maior honestidade, entregando ao receptor a liberdade de tirar as próprias conclusões.

Reflexões sobre jornalismo cultural

Emily Canto Nunes

O jornalismo cultural ganhou destaque na manhã de terça-feira com três trabalhos: Nem tudo que reluz é ouro: contribuição para uma reflexão teórica sobre o jornalismo cultural, de José Salvador Faro (UMESP); Jornalismo cultural no Rio Grande do Sul: o Modernismo na efêmera passagem da revista Madrugada (1926), de Cida Golin e Paula Ramos (UFRGS) e A lógica do entretenimento no jornalismo cultural brasileiro, de Sérgio Luiz Gadini (UEPG).

José Salvador Faro define o jornalismo cultural como um gênero fortemente marcado por processos reflexivos, analíticos e críticos que não possuem espaço no restante do jornalismo.

- Tem quem diga que o gênero abriga os jornalistas refugiados de outras editorias, como política e economia que, como se sabe, estão bem problemáticas.

_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
José Salvador Faro

Para o pesquisador, essa forma de jornalismo demanda muito esforço do profissional, uma vez que envolve um processo mais complexo de apuração, análise e relato, além de um estilo que remete às práticas de narrativas da literatura.

As pesquisadoras Cida Golin e Paula Ramos apresentaram a trajetória da revista gaúcha Madrugada, publicada entre setembro e dezembro de 1926 e fortemente inspirada nos valores modernistas. Fundada por um grupo de jovens intelectuais de Porto Alegre, a revista surgiu numa época em que as revistas ilustradas se multiplicaram graças à entrada de novas tecnologias de impressa e que se observava um crescente interesse da mulher por revistas, especialmente as ilustradas. Segundo as pesquisadoras, na metade do século XIX, o Rio Grande do Sul contava com 72 revistas e jornais de cunho literário, dado importante para entender o surgimento da publicação.

_______________________________________fotos: Juliana MaiaCida Golin e Paula Ramos

A reflexão a respeito da presença da lógica do entretenimento no jornalismo cultural foi o trabalho de Sérgio Luiz Gadini. Segundo o autor, a substituição do espaço destinado à informação e crítica foi substituído por textos mais ligados à indústria cultural, especialmente na área de televisão. Para Gadini, a criação dos segundos cadernos pela maior parte dos jornais na década de 50, deturpou a idéia de cultura enquanto motivação para pautas ou ainda como sinônimo de crítica literária. O autor ressalta que jornalismo cultural não é só entretenimento, mas também uma reflexão sobre a cultura.

Uma imprensa, dois países

Thais Sardá

As fronteiras dividem politicamente, mas serão capazes de dividir de fato a sociedade? Embora a língua e a cultura sejam diferentes, a proximidade entre dois centros urbanos, em alguns países separados apenas por um passo, dão aos pequenos jornais a chance de participar da integração latino-americana.

Em fronteiras como Santana do Livramento e Rivera ou Uruguaiana e Paso de Los Libres, na divisa entre o sul do Brasil, Argentina e Uruguai, povos se aproximam além do espaço físico. Karla Müller, pesquisadora que aborda a participação dos jornais fronteiriços no processo de integração, defende as regiões de fronteira como pontos estratégicos para a globalização.

Com o intuito de integrar, o jornal A Platéia, de Santana do Livramento (RS), teve como iniciativa a veiculação de um caderno todo escrito em Língua Espanhola.

– Constituir-se uma identidade e uma cultura fronteiriças é fundamental para a integração latino-americana. Ainda mais que hoje a questão do idioma, nessas regiões, já foi superado, diz Karla.

____________________________________________foto: Juliana Maia
Karla Müller

Em meio à tentativa de unir, os jornais de fronteira podem ser beneficiados, pois têm um mercado potencial considerável. Embora as tiragens sejam baixas - de três a quatro mil exemplares -, e o número de assinaturas no exterior ainda seja baixo, os jornais prestam um serviço especial aos brasileiros vivem fora do país.

A pesquisa também aponta que assuntos iguais desenvolvidos sob perspectivas culturais diferentes se completam. Contudo, enquanto os jornais brasileiros tratam as questões da fronteira de forma genérica, os jornais estrangeiros têm o hábito de se posicionar mais claramente em sua defesa.

Para Karla, os assuntos que lidam com entidades locais, mesmo de outro lado da fronteira, são tratados como um noticiário local. Já os temas que envolvem as esferas estadual ou nacional são tratados como noticiário internacional. Essa divisão construída especialmente pelos jornais fronteiriços evidencia o grau de integração das regiões. Os veículos distantes da fronteira, entretanto, tratam esses assuntos, de acordo com Karla, com um certo preconceito.

– A Veja, por exemplo, tem um discurso sempre negativo, chega a usar adjetivos como "ladrões" e "incompetentes".

Nos últimos anos, Rivera e Santana do Livramento estabeleceram que todos os nascidos nas duas cidades têm, automaticamente, nacionalidade dupla.

– O rio divide e o homem constrói a ponte para ligar, diz Karla.

Apesar de acreditar que o processo de integração latino americano tem como ponto forte a possibilidades de globalização iniciado pela mídia, Karla Muller lembra que o principal ponto de distanciamento entre os países da América Latina é o interesse econômico. A língua não seria mais uma barreira, já que e os pensamentos estariam a cada dia mais próximos.

Jornalismo e política

Bruna Maia

A política marcou os trabalhos apresentados na sessão 23 do SBPJor. Sob a coordenação de Maria Helena Weber, professora da UFRGS, Vladimir Caleffi Araujo e Uilson Paiva mostraram pesquisas que tratavam da relação entre a imprensa e temas políticos.

No projeto de pesquisa Imprensa e poder legislativo: uma análise das relações entre a Assembléia Legislativa gaúcha e a mídia local, Vladimir visa à análise do trabalho dos jornalistas na Assembléia Legislativa do RS. Apesar de jornais contarem com setoristas que cobrem apenas a ALRS, não há publicação expressiva no jornal sobre as decisões que são tomadas e os debates que são travados. Por outro lado, há uma relação íntima de certos jornalistas com o legislativo.

- Jornalistas escrevem livros que a ALRS publica e a ALRS publica livros que os jornalistas escrevem - comentou o pesquisador, que também citou os prêmios que a instituição oferece todos os anos a profissionais e órgãos de imprensa.

_______________________________________foto: Marcelo Allgayer
Maria Helena Weber e Vladimir Caleffi Araujo

Tal proximidade somada às poucas notícias podem, segundo Vladimir, propagar a idéia de que o parlamento gaúcho é o melhor do Brasil. Uílson Paiva contribuiu para o debate dizendo que, em sua experiência no jornal Estado de São Paulo, viu pouquíssimas matérias acerca da Assembléia de São Paulo e que sequer há no jornal um setorista responsável por cobrí-la.

O debate levantou a importante questão de que a política muitas vezes tem cobertura limitada a grandes escândalos e a fatos nacionais e que, muitas vezes, os projetos e os assuntos locais têm pouco espaço. Outro aspecto discutido foi o pouco preparo que os jornalistas têm para cobrir o complexo expediente das Assembléias e as decisões tomadas nos "bastidores" das sessões parlamentares.

Em seu trabalho Estratégias de apresentação da opinião do ator político O Estado de S. Paulo, Uílson Paiva partiu da análise de todas as edições do ano de 2003 do referido veículo. O autor encontrou 1253 citações ao MST em diferentes partes: cartas do leitor, editoriais, artigos, colunas, reportagens e notícias. Com esses dados, Paiva percebeu que a opinião do jornal permeia todos esses setores, aparecendo tanto no espaço opinativo como no informativo. Foi possível concluir que o jornal tenta indicar aos leitores um caminho a seguir, pelo menos no assunto da reforma agrária.

_______________________________________foto: Marcelo AllgayerUilson Paiva

A coordenadora Maria Helena chamou a atenção para o fato de que alguns jornais populares, como o Diário Gaúcho, não tratam de política, o que é uma questão grave em se tratando de um meio de grande circulação e importância para uma comunidade. A tendenciosidade de alguns meios ou mesmo a omissão em relação às questões do poder é um grande filão para a pesquisa em comunicação.

Discurso jornalístico

Virgínia Baumhardt

A mesa 5 do segundo dia do SBPJor foi composta por três trabalhos na área do discurso na comunicação - dois na área do jornalismo e um sobre a visão do cinema em relação à profissão. A professora doutora Karina Janz Woitowicz, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentou sua pesquisa sobre os gêneros em dois jornais catarinenses. Os professores Betânia Villas Boas Barreto, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), e Anaelson Leandro de Souza, da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (UESB), falaram sobre sua pesquisa em três filmes com personagens cuja profissão é o jornalismo. Já a tese da professora doutora Joanita Mota de Ataide, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), trata do discurso do jornal "O Imparcial" a respeito da família Sarney - que governou o Estado por mais de 40 anos.

Em sua pesquisa, Karine relata a existência da violência contra a mulher em resportagens policiais dos jornais "Diário do Campo" e "Ponta Grossa". Segundo ela, estes veículos reproduziam, nas matérias, as relações de força existentes entre os gêneros. A pesquisadora apontou a existência do sensacionalismo e humanização das personagens, descontextualizando fatos abrangentes relacionados. Karine detectou ainda a escassez de reportagens sobre a mulher como agente de opressão.

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Karina Janz Woitowicz

Betânia e Anaelson apresentaram a visão do jornalismo em três filmes distintos: "Todos os Homens do Presidente", "O Quarto Poder" e "Ao Vivo de Bagdá". De acordo com a pesquisa feita por eles, o cinema reproduz a visão do jornalista como herói, mediador de negociações, investigador. Os pesquisadores detectaram ainda intersecções entre cinema e jornalismo; segundo a pesquisa, ambas as profissões estão ligadas a características de testemunha ocular, com ritmo de trabalho intenso e aventureiro.

Por fim, a professora Joanita Ataíde apresentou sua pesquisa, baseada no discurso simbólico do jornalismo. Segundo a pesquisadora, o ex-governador do Maranhão José Sarney, patriarca da família, resume as características do líder carismático e tradicional. Os maranhenses visualizam no político traços do pai ideal e o trabalhador que cresceu na profissão, além de se identificarem com a imagem do poder.

A pesquisa como ferramenta de construção histórica

Maurício Cossio
____________________________________________foto: Juliana Maia
Francisco Karam, Dione Moura e Antonio Hohlfeldt

A mesa temática "Iniciativas de articulação da pesquisa com o interesse público" abriu o último dia do 4º SBPJor. Antonio Hohlfeldt, professor e pesquisador do PPGCOM/PUCRS, relatou os esforços de pesquisa que são feitos a fim de recuperar a história da imprensa no Rio Grande do Sul. A criação do Núcleo de Pesquisa em Ciências da Comunicação (NUPECC) possibilitou a organização do acervo de importantes jornalistas, como Oswaldo Goidanich e Eduardo Xavier. Além disso, o núcleo conta com coleções de revistas e jornais, com destaque para a imprensa alternativa que circulou por Porto Alegre durante os anos 60 e 70.

- É um arquivo único, que nos possibilita estudar este tipo de jornalismo opinativo que praticamente desapareceu da nossa imprensa.

Hohlfeldt ainda destacou as pesquisas referentes ao jornal Última Hora, de Porto Alegre; do Jornal do Dia, publicação da Igreja Católica que circulou de 1947 a 1966; e do jornal republicano A Federação, fundado por Júlio de Castilho. Segundo Hohlfeld, o objetivo dessas iniciativas é "inserir o aluno da graduação no universo do qual ele vai fazer parte como profissional".

O professor da UMESP, José Marques de Melo, apresentou um histórico da Rede Alfredo de Carvalho (Rede Alcar), cujo objetivo é resgatar a memória da imprensa brasileira. Este trabalho visa também incluir a imprensa na agenda do século XXI, a fim de socializar e democratizar o acesso à comunicação. Com base em dados numéricos, ele mostra o mapa da exclusão. Em 1950, o Brasil tinha 52 milhões de habitantes e eram vendidos 5,7 milhões de exemplares de jornal. Já em 2000, uma população de 170 milhões comprou apenas 7,8 milhões de exemplares.

- Apesar da diminuição do analfabetismo e do aumento da renda média, podemos constatar que a mídia impressa está cada vez mais distante da população.

______________________________________foto: Leandro de Oliveira
José Marques de Melo

Marques de Melo coloca parte da culpa deste processo na concentração dos meios de comunicação nas mãos de algumas poucas famílias, refletindo que "é preciso conscientizar os políticos de que a imprensa pode ser a alavanca da democracia". Uma das metas da Rede Alcar é chegar ao bicentenário da imprensa brasileira, em 2008, com um inventário completo dos jornais publicados no Brasil. Assim, estaria completo o trabalho de Alfredo de Carvalho, historiador pernambucano que inventariou a imprensa até o ano de 1908.

O jornalista Francisco Karam falou sobre a experiência da cátedra da Fenaj na Universidade Federal de santa catarina (Ufsc). Segundo ele, a universidade caracterizou-se ao longo da história como o reduto preferencial do conhecimento e da crítica, lugar propício para uma reflexão teórico-prática das atividades do homem. Citando Adelmo genro Filho, Karam abordou a tradicional polarização entre pesquisa e prática no jornalismo. No entanto, ele coloca que nos últimos anos diversas porpostas foram desenvolvidas para diminuir esta distãncia, entre elas a iniciativa da Fenaj. Uma das principais preocupações de Karam é a necessidade de profissionalização dos jornalistas. Ele defende que só a universidade têm condições de dar o embasamento filosófico, teórico, cultural e técnico de que precisam os profissionais.

____________________________________________foto: Julia Dantas
Francisco Karam

- Nós vislumbramos a necessidade de configurar uma identidade à atividade jornalística através de princípios morais e técnicos que justificam os profissionais - afirmou.

O encontro foi mediado pela professora Dione Moura, da Universidade de Brasília (UnB).

Hohlfeldt destaca a pesquisa em jornalismo

Glauber Gonçalves

O governador em exercício do Rio Grande do Sul e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, Antonio Hohlfeldt, apontou nesta manhã a importância da pesquisa em jornalismo para a sociedade e destacou o papel da iniciação científica na graduação.

Durante mesa temática no 4º SBPJor, Hohlfeldt explicou que os professores que realizam pesquisas em jornalismo podem proporcionar uma melhor formação aos seus alunos, colocando profissionais mais qualificados e com pensamento crítico no mercado, o que atenderia o interesse público.

De acordo com Hohlfeldt, os trabalhos de iniciação científica na graduação são incentivadores da formação de novos educadores na área de jornalismo, de pesquisadores e doutores.


- A maioria dos alunos que trabalhou comigo em iniciação científica hoje já são doutores ou estão lecionando.

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Antonio Hohlfeldt

Hohlfeldt falou dos avanços obtidos pela pesquisa em jornalismo na PUCRS, como a integração entre graduação e pós-graduação, a realização de projetos que buscam resgatar a história da mídia no Rio Grande do Sul e a dinamização da revista Famecos, que publica artigos científicos sobre comunicação.

Hohlfeldt destacou ainda que o encontro oportuniza a troca de informações e experiências entre pesquisadores. O governador em exercício ajudou a viabilizar o apoio do governo do Estado para a realização do Journalism Brazil Conference e do 4º SBPJor em Porto Alegre.

SBPJor busca novos associados

Letícia Pakulski

Está aberta a campanha de associação para a Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo, que tem atualmente 276 sócios. Até o fim do ano, a meta é atingir o número de 300 associados.

- É extremamente importante a participação dos pesquisadores para ampliar a consolidação da SBPJor. Os associados recebem gratuitamente as duas edições anuais da BJR, Brazilian Journalism Research, e têm direito a descontos em congressos e nos demais eventos da sociedade. Para você ter uma idéia, o sócio pagou menos da metade tanto na Brazil Conference, quanto no 4º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo - explicou Claudia Lago, diretora administrativa.

Para a sócia e professora de jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná, Karina Janz, a importância da associação à SBPJor reside no fato de que a associação atende às expectativas dos pesquisadores no campo da discussão sobre a especificidade da pesquisa em jornalismo.

– Já existiam vários profissionais e professores preocupados com a questão - disse a pesquisadora – E aí, o primeiro congresso em Brasília foi exatamente o momento de consolidar uma entidade capaz de reunir esses pesquisadores em torno de perspectivas muito próximas, justamente para reivindicar um espaço para a comunicação, reconhecê-lo como um campo, com perspectivas próprias, metodologias próprias, teorias que sustentam essa área.

Já o estudante de jornalismo Jacques Santiago Domingues decidiu se juntar à sociedade durante os encontros promovidos pela SBPJor este ano em Porto Alegre. Ele veio para a Brazil Conference e o 4º SBPJor com uma turma de jornalismo da Facvest, de Lages, Santa Catarina e se disse impressionado com os palestrantes e com o material disponível.

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Jacques Santiago Domingues

– Na condição de acadêmico e iniciante, cheguei aqui e fui surpreendido com a possibilidade de ingressar como sócio. Eu andei verificando os materiais que estavam expostos e resolvi ingressar. Estou levando mais material comigo para divulgar o trabalho da sociedade. A intenção é me aprofundar no conhecimento da área e fazer uma troca de informações com mais facilidade – disse Domingues.

Para quem tem interesse em ingressar na SBPJor, é só preencher a ficha de inscrição na página da sociedade http://www.sbpjor.org.br/, no link "junte-se a nós". Os sócios plenos, que são sócios doutores, pagam anuidade de 100 reais. Para os sócios iniciantes, que são estudantes de graduação, o custo é 50 reais. Os sócios em formação, que são os profissionais já graduados, pagam 75 reais.

Mais informações podem ser obtidas enviando um e-mail para a diretora administrativa Cláudia Lago (clago@sbpjor.org.br). A sociedade também está realizando inscrições durante o 4º Encontro, na sala de imprensa localizada na recepção da Fabico.

Laços apertados

Álvaro Bueno

Viabilizar parcerias de trabalho é um dos objetivos da SBPJor e do Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ). A avaliação é do presidente do FNPJ, Gerson Martins, que salienta existir uma cooperação entre a federação, a associação e também a Federação Nacional de Jornalismo (Fenaj). As ações promovidas por uma das instituições são sempre apoiada pelas demais, como a atualização da tabela do CNPq proposta pela SBPJor, a reforma universitária - iniciativa do FNPJ - e a discussão para a manutenção da obrigatoriedade do diploma promovida pela Fenaj e FNPJ.

Martins destaca que a realização do evento promovido pela SBPJor tem um papel importante para essas entidades. Ele afirma que é por meio da pesquisa que os professores desenvolvem o trabalho de campo.

- A graduação deve propor novas formas de fazer jornalismo e isso só se realiza por meio da pesquisa. É fundamental que o ensino se renove.

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Gerson Martins

O dirigente conta que a preocupação atual da entidade é com a realização das avaliações dos cursos, através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e a avaliação in loco. O Fórum de Professores deverá apresentar uma proposta autônoma – uma espécie de "selo FNPJ" - na qual os cursos que desejarem poderão ser avaliados através da entidade. Para isso, Gerson Martins propõe que uma comissão especializada fará uma avaliação independente à do Governo Federal, com critérios mais qualificados.

A FNPJ conta hoje com cerca de 300 associados, com mais de 500 pessoas ligadas à federação. Em abril do próximo ano irá realizar a décima edição do Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, em Goiânia. O evento terá como tema de debate os 60 anos de ensino de jornalismo no Brasil.

06 novembro 2006

Sessão de autógrafos marca segunda noite do SBPJor

Glauber Gonçalves

A noite foi de celebração no 4º SBPJor. Ao todo, 14 livros sobre jornalismo foram lançados e os participantes do encontro puderam receber autógrafos dos autores e apreciar o coquetel proporcionado pela organização do congresso.

_____________ _________foto: Leandro de Oliveira
José Marques de Melo

O professor José Marques de Melo, autor do livro Teorias do Jornalismo – Identidades Brasileiras, salientou a importância de poder lançar a obra junto a colegas e intercambiar conhecimento com uma nova geração de pesquisadores. O livro de Melo é uma compilação de textos escritos durante os 20 anos que lecionou na Universidade de São Paulo. Segundo o autor, o lançamento aborda teorias do jornalismo com um olhar brasileiro.

Lançando uma obra com traduções de textos clássicos do jornalismo ainda inéditos em português, a professora Christa Berger também destacou a oportunidade de partilhar o seu trabalho com colegas e amigos. O livro foi desenvolvido em parceria com a professora Beatriz Morocco.

Para Marconi Oliveria, a sessão de autógrafos foi uma boa chance para divulgar seu trabalho ao público presente. O autor traz uma nova reflexão acerca da relação entre o jornalismo e a realidade. Segundo o professor, suas análises comprovam que muitas matérias publicadas em jornais pouco têm a ver com os fatos que tentam retratar.

______________________ ______________+foto: Leandro de Oliveira

Contas em dia

Laura Queiroz

No final da tarde do segundo dia, ocorreu a Assembléia Geral Ordinária da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo. Os membros da SBPJor avaliaram o ano de 2006 e projetaram os rumos da instituição para 2007. Após a escolha dos integrantes da mesa diretora, composta pelos professores José Salvador Faro, Cláudia Lago e Kenia Maia, o presidente da SBPJor, Elias Machado iniciou a assembléia enfatizando a importância da realização da Brazil Conference, que segundo ele, “pôs o Brasil no mapa da pesquisa em jornalismo”.

Em seguida, foram apresentados e aprovados por unanimidade o relatório das atividades de 2006, as contas do período entre novembro de 2005 e outubro de 2006, a proposta orçamentária para 2007, o balanço, as propostas administrativas e o regimento do encontro nacional da SBPJor.

________________________________________foto: Angelo Adami
Kenia Maia, Cláudia Lago e José Salvador Faro

Após a discussão do regimento, foram debatidos os regulamentos das redes de pesquisa da SBP Jor. Ficou decidido que o 5° congresso da instituição será sediado pela UFSE e há o indicativo da UFRN para 2008. Também foi apresentado o endereço eletrônico da Brazilian Journalism Research, revista da SBPJor editada em inglês. A versão digital está disponível em
www.unb.br/ojsdpp/.. Por fim, discutiu-se a política editorial da publicação e manifestada a intenção de transformar a Brazil Conference em um evento regular da SBPjor, com o intuito de institucionalizar o evento.

Homenagem a Daniel Herz

Letícia Pakulski

O jornalista gaúcho Daniel Herz foi o homenageado da segunda noite do 4º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo. Um vídeo sobre a trajetória do pesquisador, morto em maio vítima de um câncer de medula, foi exibido durante a cerimônia - que teve ainda a entrega de uma placa para a viúva Célia Stadmik.

- A falta é muito grande e vai ser por muito tempo, não há nada que repare - disse ela, agradecendo o tributo prestado pela Sociedade Brasileira dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor).

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Célia Stadmik

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina Francisco Karam e o vice-presidente da SBPjor e professor da da dissertação de mestrado de Herz e coube a ele o discurso sobre a vida e a obra do jornalista. A tese de Herz, História Secreta da Rede Globo, ao virar livro, atingiu status de best-seller, com 14 reedições.

- Daniel queria mudar o mundo e tinha pressa. Ao fazer isso, contaminava a todos nós. Ao lado dele, era impossível se acomodar - disse Motta.

Após a cerimônia, o pesquisador falou à equipe de imprensa do encontro sobre o legado de Herz no jornalismo, na pesquisa acadêmica, e na função de primeiro chefe de departamento do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, uma gestão inovadora no incentivo à participação dos alunos e à democracia interna.

- Daniel deixou uma contribuição em todas as áreas que participou. Acima de tudo, nos deixou um legado extraordinário pela sua dedicação à causa da democracia e principalmente da democratização da comunicação - declarou.

____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Francisco Karam

A respeito dessa que foi a mais célebre causa de Herz, o professor Francisco Karam destacou a importância do trabalho do jornalista na criação das bases do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e de sua participação em políticas públicas de comunicação no Brasil, além da formulação do Programa de Qualidade de Ensino da Federação Nacional de Jornalismo.

- Foi uma pessoa integral. Ele dedicou grande parte de sua vida à militância, deixou muitos exemplos e um conjunto de documentos que continuarão aparecendo e que são inspiradores inclusive para o novo momento que se vive no país - afirmou Karam.

Livro marca rede de pesquisa em telejornalismo

Myrian Plá

Entre os livros lançados hoje, está Telejornalismo: A nova praça pública, organizado por Alfredo Eurico Vizeu Pereira Junior, Célia Ladeira Mota e Flávio Porcello, publicado pela Editora Insular. A obra trata da importância que o telejornalismo adquiriu, representando a nova praça pública nos moldes das antigas praças da Grécia, como define Porcello:

- O que o telejornalismo transmite é ponto de referência para quem assiste, pautando conversas e idéias sobre a realidade que cerca o telespectador.

Congregando textos de oito pesquisadores, a obra foi realizada no período de um ano e materializa a criação de uma rede internacional de pesquisas acadêmicas na área do telejornalismo. A idéia surgiu durante o último SBPJor, ocorrido em novembro do ano passado em Florianópolis. A partir de uma mesa coordenada sobre o mesmo tema, os participantes concluíram que o assunto não se esgotava ali e perceberam que havia a necessidade de mais pesquisas para preencher o vazio teórico na área do telejornalismo.


_____________________________________foto: Leandro de Oliveira
Alfredo Vizeu, Flávio Porcello, João Carlos Correia,
Beatriz Becker e Sylvia Moretzsohn

Além de pesquisadores de várias regiões do Brasil, integra a rede o jornalista João Carlos Correia, professor da Universidade Beira Interior, de Portugal. Tendo como base o estudo que realiza sobre o telejornalismo local no interior de Portugal, João Carlos participou do último Encontro da SBPJor .

- Ainda existe muito a ser visto, o estudo do telejornalismo é para uma vida - concluiu.

A construção e a leitura das narrativas jornalísticas

Rodrigo Luiz Vianna

A mesa sobre Narrativas Jornalísticas abriu com a apresentação de Rosana de Lima Soares. Ela trata da criação do imaginário público da AIDS através de matérias jornalísticas. Divide os anos 90 em duas fases: a primeira, mais ligada a um combate da doença, e a segunda, integrando os sujeitos portadores do vírus à sociedade.

___________________________________________foto: Raquel Hirai
José Luiz Aidar

José Luiz Aidar comentou as relações da mídia com a saúde. O autor trabalha com a utopia da boa saúde e o culto ao corpo. Aidar comenta os contratos de leitura entre os meios de comunicação e os leitores, dizendo que a mídia não disciplina, mas controla. Através do uso de palavras de ordem, traça modelos a serem seguidos, mostrando que a comunicação mostra as mudanças da sociedade e da ciência para o público. Isso é feito construindo um discurso que faz um simulacro do discurso científico.


A segunda metade da discussão trabalhou mais diretamente a questão do texto jornalístico. Luiz Gonzaga Motta trabalhou as relações entre texto factual e ficcional. Motta afirma que a presença da narrativa é aceita pelo homem, questionando-se o momento em que há a transposição do factual para a história ficcional, buscando a resposta no receptor.

- É na recepção que os interlocutores estabelecem as conexões, preenchendo as lacunas e construindo a história. É o receptor que conclui a obra - disse.

________________________foto: Marcelo Allgayer
Luiz Gonzaga Motta

Gislene Silva apresentou um trabalho que discutiu a diversidade das recepções de um texto jornalístico e a possível estética que isso acarreta. Gislene questiona o caminho da construção do imaginário através do discurso jornalístico, apresentando dados de sua pesquisa que coloca o receptor também como criador da narrativa. Isso se dá através de um processo subjetivo, que apresenta devaneios para preencher as lacunas discursivas da construção da história/matéria.


A releitura de textos traz re-significações, segundo Daisi Vogel. A pesquisadora define o jornalismo como um conjunto textual que assimila e configura uma época. Suas buscas são por estruturas fixas que formam a compreensão do texto. A renovação dessas estruturas caracterizam a re-significação, que passa do tempo presente da notícia para o tempo suspenso da memória. Uma vez que a matriz narrativa é comum em vários campos - jornalístico, antropológico, literal -, ela se torna sempre ficcional.

Metodologia de pesquisa é objeto de discussão de pesquisadores

Raquel Sander e Álvaro Bueno

A Sessão 2 das Comunicações Coordenadas, ocorrida na tarde desta segunda-feira, teve como tema "Metodologias e Pesquisa em Jornalismo". Foram apresentados os trabalhos Estudos sobre jornalismo digital no Brasil, de Luciana Mielniczuk (Universidade Federal de Santa Maria), Claudia Irene Quadros (Universidade Tuiuti do Paraná) e Suzana Barbosa (Universidade Federal da Bahia); Considerações metodológicas sobre a pesquisa aplicada ao jornalismo, de Carlos Eduardo Franciscato (Universidade Federal de Sergipe); O estatuto da história oral e as fronteiras com o jornalismo, de Suely Maciel (Escola de Comunicação e Arte/USP); e Possíveis critérios metodológicos e a reconsituição da pesquisa sobre o ethos romântico no jornalismo, de Cláudia Lago (Anhebi/Morumbi).

_____________________foto: Leandro de Oliveira
Cláudia Lago

Tendo como objetivo principal fazer um levantamento dos estudos sobre jornalismo digital realizados no Brasil, o trabalho apresentado por Luciana Mielniczuk procura identificar os pioneiros no país desta pesquisa e as teses e dissertações defendidas sobre o assunto. Luciana apontou que 53,8% dos trabalhos acadêmicos de pós-graduação sobre jornalismo digital levantados foram ou estão sendo orientados por apenas seis pesquisadores: Claudia Quadros (também co-autora do trabalho), Elias Machado, Marcos Palacios, Sebastião Squirra, Elizabeth Saad e Zélia Adghirni. Eles seriam, assim, os principais pesquisadores no Brasil do assunto.

Já o trabalho de Carlos Eduardo Franciscato apresenta questões de ordem metodológica para considerar a pesquisa aplicada em jornalismo. Em sua exposição, Franciscato mostrou o modelo geral que propõe para as pesquisas aplicadas nesta área, que devem resultar, na última etapa, em dois produtos: a caracterização final de um modelo de inovação e o desenvolvimento de um trabalho conceitual.

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Suely Maciel

Uma análise comparativa entre os relatos jornalísticos e a história oral foi o tema de discussão de Suely Maciel. Ela enfatiza que, apesar das similaridades, a história oral não pode ser confundida com o jornalismo. Ambos partem da obtenção de informações a partir de relatos em tempo presente com fontes humanas. Porém, na oralidade, o colaborador compartilha a autoria do texto, diferentemente do testemunho jornalístico, em que, muitas vezes, o relato é utilizado para afiançar uma "verdade" já construída. Suely salientou que, embora a história oral não seja exclusividade de nenhum campo científico, ela pode apontar procedimentos que contribuem na prática jornalística.

Cláudia Lago encerrou as apresentações da sessão lembrando de há um pólo que é pouco referido nas teses, mas que tem uma influência direta no resultado dos trabalhos. Ao mencionar os critérios empregados na metodologia de pesquisas, como os epistemológicos e metodológicos, ela acrescenta a questão operacional. Segundo ela, limitações pessoais, materiais, entre outras, são determinantes para a construção do trabalho, mas estão ausentes do texto final. Esse questionamento foi objeto de estudo de Cláudia em sua própria tese.